10 Erros na Escrita de Histórias para Games

Mão humana na cor azul segurando um controle de viodeogame em formato de livro.

Esse texto não é de minha autoria, é uma tradução livre de um post do Yanfly (um desenvolvedor de games e plugins para o RPG Maker – apoie-o aqui). Como estou trabalhando com um novo ciclo de produção e o tempo está curto por causa do mestrado, o blog está parado.

Espero em setembro fazer uma nova live contando os bastidores do terceiro lançamento do meu estúdio neste ano de 2019.

Ao meu ver, as dicas abaixo não se esgotam nas pontuações e estão abertas a discussão.

 

1 – Ter muito orgulho da própria produção

Ser um criador de conteúdo tende a fazer com que as pessoas tenham orgulho de suas produções. Como escritor, ninguém conhecerá melhor sua história do que você. Por essa razão, não é incomum esquecer que ainda é necessário explicar aspectos de sua narrativa, enredo, etc., para o leitor/jogador, tudo isso de maneira clara e não exaustiva. Alguns sentimentos que para você (escritor) parecem explícitos, talvez não sejam para as pessoas que estão tendo o primeiro contato com seu jogo. Isso não significa que elas não apreciam o seu trabalho ou que seu game não é para elas, mas talvez você não esteja entregando de uma maneira clara tudo que pensou.

 

2 – Mais é menos, menos é mais

Um erro comum cometido por escritores iniciantes é lançar uma tonelada de palavras desnecessárias no diálogo, na narrativa e/ou nas descrições. É comum em animes, por exemplo, você assistir a um monstro destruindo a cidade e, na sequência, um personagem diz: “o monstro está destruindo a cidade, precisamos pará-lo!” Fazer isso na verdade diminui a experiência do jogador/espectador. Se uma cena tiver um protagonista caminhando em direção à heroína, não será necessário narrar isso.

E se eles estiverem nervosos enquanto caminham em direção à heroína? Você narra isso? Você poderia, mas é melhor mostrá-lo visualmente.

Mostrar sempre será melhor do que escrever.

 

3 – Projete sua história em torno do seu jogo

Projete sua história em torno de seu jogo e não o contrário. Um erro comum é que desenvolvedores de jogos iniciantes (e também escritores) tentam projetar seus games em torno de seus textos. Isso ocorre porque a escrita é quase sempre mais flexível do que a capacidade de reproduzir dentro do jogo o que a história exige. Você pode escrever o monstro mais ameaçador do planeta, mas qual a sua habilidade artística para criá-lo? Você pode criar histórias com diversas ramificações, mas você tem tempo para realmente desenvolvê-las?

Você pode planejar o sistema mágico mais complexo do universo dos games, mas você tem a habilidade para programá-lo? 

Em vez disso, você sempre pode cortar e mesclar sua história para se adequar ao que você tem acesso em termos de capacidade, recursos e pessoal.

 

4 – Ignorar o uso de anotações

Deixar de fazer anotações em certas partes do seu jogo pode dificultar sua capacidade de manter sua história coesa. Sempre faça notas, escreva biografias de pequenos personagens, delineie enredos e não esqueça de anotar suas ideias. Sua mente é seu maior trunfo quando se trata de escrever histórias, mas está longe de ser o mais confiável em termos de memória.

 

5 – Escrever a história em ordem cronológica

Você não precisa escrever sua história em ordem cronológica. Desenvolver uma introdução e escrever os eventos iniciais (como a festa se forma, o herói chega a cidade, etc.) não é uma necessidade para começar sua narrativa. Esta é uma armadilha em que os escritores amadores frequentemente se enquadram. É extremamente fácil ficar procrastinando em questões como: “Qual seria uma boa introdução para minha aventura?” ou “Qual deve ser meu título?”. Em vez disso, planeje e escreva os principais eventos primeiro, se necessário, e junte-os. Assim, em outros momentos, você terá um tempo para reorganizar as coisas em ordem cronológica e até mesmo ter facilidade para escrever as lacunas que devem ser preenchidas.

 

6 – Evite uma “salada de palavras”

Usar nomes latinos como substitutos para convenções de nomenclatura é bem legal. No entanto, também pode ser extremamente confuso para os leitores. Quando você nomeia quase tudo em seu jogo com algum nome único e extravagante, eles não apenas podem perder sua fantasia, mas também podem se tornar um aborrecimento para leitores e jogadores. Se você pode chamar algo pelo seu nome comum, é melhor se ater a isso e deixar o nome exclusivo para outra coisa que realmente merece.

 

7 – Busque pela simplicidade, não pela complexidade

Há uma mentalidade de que as histórias têm que ser complexas. Isso não é verdade. Em vez disso, uma história que visa a simplicidade tende a funcionar melhor ao transmitir o que o autor deseja ao público-alvo. Existem quatro maneiras de escrever uma história:

Histórias simples contadas de maneira simples Histórias complexas contadas de maneira simples
Histórias simples contadas de maneira complexa Histórias complexas contadas de maneira complexa

Evite fazer uma história simples contada de maneira complexa. Ela tende a frustrar os leitores e jogadores, uma vez que eles entendem a sua essência. Você quase nunca quer que seu público sinta que seu trabalho é um desperdício de tempo.

 

8 – Histórias curtas são boas, histórias longas também

Há uma mentalidade por aí sobre histórias simples precisarem serem contadas como uma longa história épica. Isso não é verdade. Histórias curtas e longas são interessantes de se fazer. De fato, se você é um desenvolvedor amador de jogos, eu recomendo fazer uma curta antes de um longa.

Escritores amadores e/ou desenvolvedores de jogos que buscam criar jogos longos tendem a complementar seu trabalho com “conteúdo de preenchimento” que geralmente não tem sentido para o público.

Em vez disso, o que você deve procurar é torná-lo memorável pela quantidade de tempo que eles colocam. Afinal, é melhor um jogo “muito curto” interessante do que um “muito longo” monótono.

 

9 – “Forçando” o diferente

As pessoas tendem a zombar de clichês e outras técnicas comumente usadas na narração de histórias. Para alguns escritores, há mais valor em ser diferente do que fazer uma história apropriada e isso pode prejudicar seriamente um bom jogo. Acredite ou não, é mais provável que os leitores desfrutem de uma história familiar bem contada do que uma história única contada mal. Trabalhe com o que você está mais familiarizado e amplie isso. Entenda que ser diferente apenas para ser diferente tem pouco ou nenhum mérito.

 

10 – Sobre usar memes

Evite o uso de memes por escrito. Isso não quer dizer que eles não sejam agradáveis, mas (em geral) têm uma vida útil muito curta. No momento em que seu jogo é lançado, a história é divulgada, há uma probabilidade incrivelmente alta de que os memes utilizados em sua história estejam desatualizados, não façam mais sentido e/ou sejam totalmente eliminados.

Mulher com a mão sobre uma barriga falsa (meme grávida de taubaté) com texto: "Eu vim ao mundo para causar, se fosse para ser pacífica, tava no oceano"

É isso!

Abraços, pessoal.

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